De fato, o setor de Atenção Domiciliar à Saúde, popularmente conhecido como home care, apresenta um aumento expressivo a cada ano no Brasil.

Por exemplo, em 2012, eram 18 empresas atuando nesse mercado. Hoje, já são 830, de acordo com um levantamento do Núcleo Nacional das Empresas de Serviços de Atenção Domiciliar (Nead). Apenas em 2019, 292 mil pacientes foram atendidos nessa modalidade.

A atividade vem ganhando espaço devido, principalmente, ao crescimento no número de idosos e, consequentemente, de pacientes com doenças crônicas e degenerativas. Além disso, a atual pandemia do novo coronavírus (SARS-Cov-2) impulsionou ainda mais o atendimento médico em casa.

Em seguida, conheça mais resultados significativos do Censo Nead-Fipe 2019/2020 e quais são as vantagens e os desafios do home care no Brasil.

 

Home care – Censo Nead-Fipe 2019/2020

 

Todo biênio, o Núcleo Nacional das Empresas de Serviços de Atenção Domiciliar (Nead) realiza um levantamento sobre o cenário do home care no Brasil. O Censo Nead-Fipe 2019/2020 é o único levantamento oficial do setor de Atenção Domiciliar à Saúde realizado no país.

A pesquisa, divulgada recentemente, apresentou dados relevantes:

  • O número de estabelecimentos saltou de 676, em junho de 2018, para 830 em dezembro de 2019. Ou seja, um aumento de 22,8%;
  • O crescimento de estabelecimentos registrado na região Nordeste desde 2017 é de 209%. Já a região Sudeste ainda apresenta o maior número absoluto, com cerca de 41,5% de todos as empresas do setor;
  • A quantidade de pacientes em Atendimento Domiciliar e Internação Domiciliar foi de 292 mil em 2019;
  • São cerca de 106 mil profissionais empregados na atividade, entre colaboradores próprios e terceirizados;
  • A maior parte dos colaboradores, de acordo com dados da Rais do Ministério do Trabalho, é de técnicos ou auxiliares de enfermagem e enfermeiros (51%), seguido de cuidadores de idosos (12%);
  • A estimativa da receita anual gerada em 2019 foi de R$ 10,6 bilhões. 57,5% destas receitas são referentes a internações domiciliares (R$ 6,1 bilhões) e 42% por atendimentos domiciliares (R$ 4,5 bilhões);
  • O ticket médio diário foi de R$ 212,48 para serviços de atendimento domiciliar e de R$ 742,84 para serviços de internação domiciliar. O custo médio diário dos pacientes em atendimento domiciliar foi estimado em R$ 141,92. Para os pacientes em internação domiciliar, esse valor ficou em R$ 614,96.
  • Caso o setor encerrasse seus serviços, seriam necessários 20.763 leitos hospitalares adicionais ao ano para os atendimentos que hoje são supridos pela área. Esses leitos representam 4,87% do total de leitos hospitalares do país, públicos e privados.

 

Ao todo, 472 empresas foram convidadas a participar do censo. Porém, apenas 58 responderam ao questionário. Muitos respondentes, contudo, fizeram de modo parcial, o que explica a variabilidade no total de respostas que observamos ao analisar os resultados.

Por isso, vale ressaltar que os dados da amostra não têm representatividade estatística comprovada, uma vez que as respostas das empresas foram voluntárias. Desta forma, a Fipe recomenda que os resultados sejam interpretados com cautela.

 

Home care – vantagens

 

home care

 

De fato, o home care proporciona benefícios para pacientes, profissionais e unidades de saúde. Para os profissionais, garante mais qualidade de vida ao permitir um ambiente mais tranquilo de trabalho, por exemplo.

Atualmente, com a ampliação das atividades de telemedicina, a consulta pode ser feita remotamente. Com isso, não é necessário o deslocamento do médico para o atendimento.

Inclusive, até exames mais simples podem ser realizados por técnicos e auxiliares e disponibilizados na nuvem para diagnóstico remoto.

Já para os hospitais, as vantagens são a disponibilidade maior de leitos, principalmente para casos mais graves, e diminuição de gastos na manutenção da saúde de portadores de doenças crônicas e degenerativas, por exemplo. Desse modo, assim que ficam estáveis, é possível realizar a internação domiciliar ou o home care ambulatorial.

E, claro, há vantagens também para o paciente. Com toda a certeza, a principal é recuperar-se no conforto do lar. Além disso, sem riscos de infecções hospitalares e longe da rotina tumultuada do local. Assim sendo, a reabilitação acontece de forma mais segurança e eficiente, já que o cuidado é individual, humanizado e regido pelas necessidades, rotina e limites do paciente.

 

Home care – desafios

 

Como toda mudança, o home care também enfrenta desafios. Um deles é as possíveis limitações enfrentadas no atendimento fora de uma unidade de saúde especializada, principalmente relacionadas a internações domiciliares.

Portanto, é fundamental contar com uma boa comunicação com a equipe multidisciplinar responsável pelo paciente. Dessa maneira, em caso de dúvidas ou emergências, há o apoio de outro médico ou profissional.

Além disso, há outros empecilhos, como falta de equipamentos e infraestrutura adequada e de investimento em qualificação para os profissionais.

 

Conclusão

 

O home care vem apresentando crescimento expressivo nos últimos anos no Brasil. A tendência é que englobe ainda mais empresas, profissionais e pacientes. Com a atual pandemia, ficou ainda mais imprescindível saber o real tamanho do setor e qual seu impacto na saúde, na economia e no mercado de trabalho.

Desse modo, teremos informações fundamentais para a construção de políticas públicas, planejamentos empresariais e uma mudança cultural na adoção do atendimento domiciliar em saúde.

 

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