Olhos como porta de entrada. Lágrimas contaminadas como possível fonte de contágio. Conjuntivite. Alterações na retina. Glaucoma.

De sintomas, como conjuntivite, até possíveis sequelas, como retinopatia e glaucoma, diversos estudos e relatos apontam a relação entre o novo coronavírus e olhos.

Como a doença é nova, ainda não sabemos ao certo como atinge esse órgão. Por isso, hoje as pesquisas servem, principalmente, como alerta.

Agora, um novo estudo identificou pequenos nódulos nos olhos de pacientes com quadro grave de covid-19. O trabalho da Sociedade Francesa de Neurorradiologia (SFNR) foi publicado no periódico científico Radiology.

Em seguida, saiba mais sobre a pesquisa, os resultados e como os dados são importantes para entender melhor e incentivar a investigação das possíveis sequelas do novo coronavírus nos olhos.

 

O estudo

 

Entre março e maio de 2020, os pesquisadores submeteram 129 pacientes graves de covid-19, sendo 43 mulheres e 86 homens, a exames de ressonância magnética cerebral. O objetivo era detectar possíveis anomalias nos olhos.

 

Os resultados

 

Do total, nove pacientes apresentaram um ou mais pequenos nódulos na parte posterior da região macular, sendo:

  • Oito com anormalidades em ambos os olhos;
  • Oito estiveram internados na UTI;
  • Sete permaneceram de bruços por período prolongado;
  • Seis eram obesos;
  • Dois tinham diabetes;
  • Dois sofriam com hipertensão.

A equipe não conseguiu identificar o motivo do surgimento dos nódulos. Entretanto, levantaram algumas hipóteses:

  • Inflamação provocada pelo vírus;
  • Má circulação do sangue nas veias oculares em pacientes entubados na UTI, como danos ou bloqueio;
  • Pequenas hemorragias no olho;
  • Interrupção das fibras nervosas.

De acordo com os cientistas, é a primeira vez que há documentação deste tipo de sequela por meio de ressonância magnética.

 

Próximos passos

 

Os voluntários continuam em monitoração para observar possíveis mudança nos nódulos dos olhos ou comprometimento da visão. Além disso, novos pacientes em quadro grave da segunda e terceira onda estão em avaliação.

De fato, o estudo precisa ser aprofundado para comprovar a formação de nódulos nos olhos devido ao novo coronavírus. Porém, já reforça a importância de documentar imagens dos olhos em casos graves de covid-19 e acompanhar a evolução do paciente pós-tratamento.

Para isso, pode-se recorrer aos exames de ressonância magnética cerebral, fundoscopia e tomografia de coerência óptica.

“Nosso estudo defende a triagem de todos os pacientes hospitalizados na UTI com covid-19 grave. Acreditamos que devem receber tratamentos de proteção ocular específicos”, disse em nota o autor principal do estudo, Augustin Lecler, professor associado da a Universidade de Paris e neurorradiologista do Departamento de Neurorradiologia da Fundação Hospital Adolphe de Rothschild em Paris.

 

Conclusão

 

De fato, ainda há um longo caminho para comprovar a correlação entre coronavírus e olhos. Porém, os estudos são fundamentais para incentivar a atenção maior aos olhos em pacientes infectados, por meio de exames e monitoramento após a cura.

Além disso, essa pesquisa reforça que pacientes com doenças preexistentes, como diabetes e hipertensão, tem maior fator de risco. Por isso, devem passar por investigações nos olhos também.

 

Saiba em primeira mão as principais pesquisas sobre coronavírus e olhos. Acompanhe o blog da Phelcom.

 

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